
Nascido em Salvador, Bahia, em 1979, Itamar Vieira Junior passou sua adolescência em Pernambuco e, posteriormente, em São Luís, Maranhão. Ele se graduou e obteve o título de mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), sendo o primeiro aluno a receber a Bolsa Milton Santos, dedicada a jovens negros de baixa renda. Além disso, possui um doutorado em Estudos Étnicos e Africanos pela mesma universidade, com uma tese focada na formação de comunidades quilombolas na Chapada Diamantina, no interior da Bahia. Paralelamente à sua carreira literária, atua como servidor público no INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), um órgão responsável pela reforma agrária no Brasil, uma vivência que influencia profundamente sua escrita. Sua trajetória literária teve início com coletâneas de contos, mas foi com o romance 'Torto Arado' que alcançou aclamação nacional e internacional.
A obra literária de Itamar Vieira Junior é marcada por uma prosa densa e poética que aborda as tensões sociais, culturais e econômicas do Brasil, especialmente aquelas vivenciadas em regiões rurais. Ele explora temas como a relação com a terra, a identidade e a resistência, dando voz a personagens e realidades frequentemente marginalizadas. O autor é reconhecido por revitalizar o romance regionalista, infundindo-o com dimensões míticas, espirituais e políticas, a partir de seu profundo contato com comunidades quilombolas e rurais, adquirido durante seu trabalho no INCRA. Suas narrativas frequentemente mergulham no legado persistente do colonialismo, da escravidão e dos conflitos fundiários, com um forte protagonismo feminino.

“Ambientado no sertão baiano, o romance narra a história das irmãs Bibiana e Belonísia, cujas vidas são interligadas por um acidente de infância envolvendo uma faca misteriosa. Elas vivem em condições de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda na Chapada Diamantina. A obra explora a luta pela terra, a ancestralidade e a identidade, retratando o legado duradouro da escravidão e do latifúndio no Brasil.”

“Conclui a 'Trilogia da Terra', acompanhando Rita Preta, uma operadora de caixa em Salvador, cuja vida se transforma com o desaparecimento de seu filho adolescente, levando-a a confrontar a violência urbana e suas raízes ancestrais.”