
Henrique Schneider nasceu em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, em 1963. Formado em Direito, concilia a carreira jurídica com uma prolífica produção literária que abrange romances, contos e crônicas. Filho de Therezinha e Nestor Fips Schneider, cresceu em um ambiente que incentivava a leitura, tornando-se uma das vozes proeminentes da literatura contemporânea do sul do Brasil. Sua obra é marcada por um olhar humanista sobre personagens comuns inseridos em contextos históricos ou cotidianos complexos. Schneider ganhou projeção nacional ao vencer o Prêmio Paraná de Literatura em 2017 com o romance 'Setenta', que explora os horrores da ditadura militar brasileira sob a perspectiva de um cidadão apolítico. Além de escritor, manteve por 15 anos a coluna 'Vida Breve' no jornal ABC Domingo e realiza leituras públicas de seus textos.
A trajetória de Henrique Schneider é caracterizada por uma transição bem-sucedida entre o conto e o romance longo. Seu estilo é frequentemente descrito como límpido e fragmentado, priorizando a profundidade psicológica e o ritmo narrativo. Ele iniciou sua carreira literária com destaque ao vencer o Prêmio Maurício Rosenblatt em 1989. Nos últimos anos, dedicou-se a um projeto ambicioso conhecido como a 'Trilogia da Ditadura', que aborda os pilares do sistema totalitário: a tortura (em Setenta), o exílio (em A Solidão do Amanhã) e a censura.

“O romance acompanha Raul, um bancário de 25 anos que vive uma vida pacata e apolítica em Porto Alegre. Durante o clima de euforia da Copa do Mundo de 1970, ele é preso por engano, confundido com um militante de esquerda. A obra mergulha nos porões da ditadura, detalhando a tortura e a lógica do absurdo imposta pelo regime militar sobre cidadãos comuns.”

“Dando continuidade à sua exploração do período militar, o autor narra a experiência do exílio. O livro foca no sentimento de deslocamento e na construção de uma vida sob a sombra do medo e da distância da pátria, mantendo o foco em personagens que não eram necessariamente líderes políticos, mas vítimas das circunstâncias.”