
Graça Graúna, nasceu em 1948 em São José do Campestre, Rio Grande do Norte. Descendente do povo Potiguara, mudou-se para Recife aos dez anos, cidade onde consolidou sua trajetória intelectual e acadêmica. Graduada, mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sua tese de doutorado tornou-se um marco inaugural para a sistematização crítica da literatura indígena contemporânea no país. Além de sua atuação como docente na Universidade de Pernambuco (UPE), Graúna é uma voz ativa no movimento de escritores indígenas, utilizando a poesia e o ensaio como ferramentas de reterritorialização simbólica e resistência cultural. Sua obra transita entre o resgate das memórias ancestrais, a denúncia das exclusões históricas e a celebração das cosmovisões ameríndias, sendo reconhecida tanto no meio literário quanto no acadêmico por sua profundidade e pioneirismo.
A carreira de Graça Graúna é definida pelo binômio 'arte e ativismo'. Como pesquisadora, foi uma das primeiras a definir teoricamente o que constitui a 'literatura indígena' no Brasil, diferenciando-a do indianismo romântico. Esteticamente, sua poesia é marcada por uma economia de palavras que remete à tradição do haicai, mas carregada de simbologia potiguara e referências à Mãe-Terra. Ela também possui uma contribuição significativa na literatura infantojuvenil, onde adapta mitos e narrativas tradicionais para educar as novas gerações sob uma perspectiva decolonial. É membro da União Brasileira de Escritores (UBE) e lidera grupos de pesquisa voltados para a literatura comparada e o interculturalismo.

“Neste livro de poemas, Graúna utiliza a escrita para processar sua própria trajetória de deslocamento e pertencimento. A obra é um exercício de 'escrevivência' que busca reconciliar a formação urbana com a herança Potiguara, estabelecendo as bases de sua poética da resistência.”

“Reflexões poéticas sobre a passagem do tempo, resistência e a permanência dos saberes originários.”