
Nascido em São Paulo, em 1962, de ascendência italiana, Fernando Bonassi formou-se em cinema pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA/USP). Inicialmente, as dificuldades econômicas para a produção cinematográfica no Brasil o direcionaram para a literatura, onde encontrou um vasto espaço para a expressão de suas ideias. Sua estreia literária ocorreu em 1987 com a poesia, expandindo rapidamente para contos e peças teatrais. Sua carreira é marcada pela prolífica atuação em diversas expressões artísticas, incluindo romances, contos, literatura infantojuvenil, dramaturgia para teatro, e roteiros para cinema e televisão.
A obra de Fernando Bonassi é caracterizada por um realismo urbano cru, um estilo minimalista e incisivo, e um olhar aguçado para as complexidades da sociedade brasileira contemporânea. Ele explora frequentemente temas como violência, desigualdade social, e relações humanas em suas narrativas. Transitando com fluidez entre diferentes mídias, Bonassi deixou sua marca na literatura e na produção audiovisual, sendo co-roteirista de filmes aclamados como 'Carandiru' e 'Cazuza – O Tempo Não Para', e de séries televisivas como 'Força-Tarefa' e 'Carcereiros'. Foi também colunista do jornal Folha de S.Paulo. Seu estilo é frequentemente descrito como brutal e crítico, o que o estabelece como uma voz singular na literatura contemporânea.

“O romance 'Luxúria' narra com ironia e realismo o momento em que a soberba se espalhou pelo país, em um período de aparente prosperidade econômica. Centra-se na história de um operário metalúrgico que, impulsionado pelo crédito fácil, compra um carro zero e uma casa própria, decidindo construir uma piscina que se torna um abismo para suas esperanças. A obra é uma alegoria contundente sobre as transformações sociais brasileiras e os efeitos de uma política de inclusão baseada no consumo.”

“Considerado o desfecho de uma trilogia ('Luxúria', 'Degeneração' e 'Violência'), este romance é uma síntese crua e brutal do Brasil. Com ironia e precisão, a trama retrata as diversas formas de violência (física, política, sexual, racial, de classe e gênero) que permeiam o cotidiano brasileiro. A história se desenrola durante um assalto armado em um jantar na casa de um assessor político, revelando as camadas mais profundas das contradições e hipocrisias da sociedade.”