
Eva Potiguara é uma proeminente voz da literatura indígena contemporânea no Brasil. Nascida em Natal, Rio Grande do Norte, possui raízes familiares na Aldeia Sagi Jacu (Baía Formosa/RN) e no Brejo da Paraíba. Doutora e Mestra em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), dedicou mais de 35 anos à docência e à pesquisa das cosmovisões de seu povo, utilizando a escrita como ferramenta de retomada identitária e resistência cultural. Além de sua produção literária solo, Eva é a fundadora e articuladora nacional do coletivo Mulherio das Letras Indígenas, projeto que visa dar visibilidade a escritoras de diversas etnias brasileiras. Sua obra transita entre a poesia, a literatura infantil e o romance, sempre permeada pela ancestralidade, a defesa do território e o protagonismo das mulheres originárias. Em 2023, consolidou-se como uma das principais autoras do país ao vencer o Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura.
A carreira de Eva Potiguara é marcada pela união entre a educação acadêmica e os saberes ancestrais. Iniciou sua produção literária ainda na infância, mas o reconhecimento público veio através de obras infantis que narram lendas e saberes potiguaras. Seu estilo é definido por uma poética decolonial, que rejeita os cânones clássicos em favor de uma escrita coletiva e espiritual. Ela é membro da Academia de Letras do Brasil (Seccional Campos dos Goytacazes) e da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN. Recentemente, expandiu sua atuação para o romance com 'Os Herdeiros de Jurema', obra que denuncia as invasões de terras indígenas.

“Publicado pela UK'A Editorial, este livro de poesias foi finalista do Prêmio Jabuti. Através de versos densos e viscerais, a autora explora o conceito de 'Mátria Amada' e a conexão espiritual com o território, oferecendo uma perspectiva decolonial sobre a história do Brasil, que ela denomina Pindorama.”

“Vencedor do Prêmio Carolina Maria de Jesus, este romance narra a saga de Jurema, uma jovem potiguara destinada a ser a guardiã de seu povo. A trama entrelaça o misticismo da planta jurema com a realidade crua dos conflitos agrários no Nordeste brasileiro, servindo como um grito de denúncia contra o apagamento cultural.”