
Eliane Potiguara nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Descendente de avós indígenas da etnia Potiguara que migraram da Paraíba para o Sudeste fugindo da violência agrária, Eliane graduou-se em Letras e Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Consolidou-se como uma das vozes mais potentes do ativismo indígena brasileiro, sendo a fundadora da primeira organização de mulheres indígenas do Brasil, o GRUMIN (Grupo Mulher-Educação Indígena), em 1988. Sua trajetória é marcada pela defesa internacional dos direitos humanos, tendo participado ativamente da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Indígenas na ONU em Genebra. Em 2021, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela UFRJ, tornando-se a primeira mulher indígena a receber tal distinção na instituição. Além de sua produção literária premiada, Eliane é reconhecida como uma intelectual orgânica que utiliza a literatura para combater o apagamento histórico e a desterritorialização dos povos originários.
A trajetória de Eliane Potiguara é indissociável de sua luta política. Sua literatura é caracterizada pela 'poética da resistência', onde o eu-lírico frequentemente resgata a memória ancestral e a figura da mulher como guardiã da cultura. Iniciou sua divulgação literária na década de 1970 através de 'poemas-pôsteres' e mimeógrafos. Seu estilo transita entre a poesia, a ficção autobiográfica e a literatura infantil, sempre focando na denúncia do racismo, na valorização da identidade indígena e na espiritualidade. É considerada a 'matriarca' da literatura indígena brasileira contemporânea por abrir caminho para gerações de novos escritores.

“Esta obra é um marco na literatura indígena brasileira por mesclar gêneros. Através da história de amor entre Elpídio e Cunhataí, a autora explora as cicatrizes da colonização, a diáspora indígena urbana e a busca incessante pelo 'ser indígena' em um mundo que tenta silenciá-los. O livro funciona como um manifesto político e espiritual pela dignidade dos povos originários.”

“Neste livro voltado ao público infantil, a pequena Poti ouve as histórias de sua avó sobre o passado de dor e resiliência de sua família. A obra aborda com delicadeza o trauma da perda de território e a importância de reconectar-se com as tradições para 'curar' o presente, servindo como uma ferramenta educativa de valorização étnica.”