
Nascida em 1970, em Sant'Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, na fronteira entre Brasil e Uruguai, Eliane Marques é uma figura proeminente na literatura afro-brasileira. Além de sua atuação como escritora, Marques é advogada e Auditora Pública Externa do Tribunal de Contas do Estado, residindo atualmente em Porto Alegre. Sua formação acadêmica inclui graduações em Pedagogia e Direito, especialização em Constituição, Política e Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e mestrado em Direito Público pela UNISINOS. Marques também possui formação em Psicanálise pela “Après Coup Porto Alegre Psicanálise e Poesia”, onde ministrou cursos de Direito e Psicanálise. Nesse contexto, dedicou-se à tradução do volume “O Trágico em psicanálise”, de Marcela Villavella, publicado em 2012. Sua atuação como intelectual e escritora se estende à coordenação de projetos como “Escola de Poesia” e a coordenação editorial da revista OVO DA EMA. Ela é também fundadora-coordenadora do Clube Amefricano de Tradutoras e do selo editorial Orisum Oro, focado na tradução e publicação de obras de mulheres poetas amefricanas no Brasil. Sua obra é marcada por um rigor formal elevado e uma profunda exploração de temas como memória, ancestralidade e a experiência de ser negro(a) no mundo. A escrita de Marques é frequentemente descrita como dura, violenta e direta, buscando materializar a dor e a resiliência de mulheres negras aprisionadas pela servidão doméstica e as heranças do escravismo. Ela mescla português, espanhol e iorubá em suas narrativas, tecendo lembranças de sua linhagem materna e elementos da diáspora africana.
A trajetória literária de Eliane Marques se inicia com a participação em coletâneas e revistas no final dos anos 2000, culminando em sua primeira publicação individual, "Relicário", em 2009, que já demonstrava seu talento com a poesia e a abordagem da memória. Em 2016, com "E se alguém o pano", ela consolidou sua voz poética, sendo agraciada com o Prêmio Açorianos. Sua obra "O poço das marianas", lançada em 2021, reafirmou seu reconhecimento, ganhando o Prêmio Minuano 2022 e sendo finalista do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores. Em 2023, Marques estreou no romance com "Louças de família", obra aclamada que lhe rendeu o Prêmio São Paulo de Literatura 2024 na categoria Melhor Romance de Estreia. Este romance dramatiza a vida de mulheres negras em servidão doméstica, recuperando memórias ancestrais e expondo as "louças lascadas" de segredos e dores familiares. Seu estilo é caracterizado por uma linguagem inventiva e uma capacidade de transformar fragmentos de história e experiência em textos poderosos. Além de autora, Eliane Marques é uma importante tradutora, trazendo para o português obras de autoras como Georgina Herrera e Virginia Brindis de Salas, enriquecendo o diálogo literário afro-brasileiro com outras literaturas diaspóricas.

“Primeiro romance de Eliane Marques, aclamado com o Prêmio São Paulo de Literatura 2024. A obra mergulha na ancestralidade e na memória de mulheres negras, explorando as dores e resistências da servidão doméstica e as heranças do escravismo através da história de Cuandu e sua tia Eluma.”

“Livro de poemas que a autora publica com abrangência mais nacional, explorando os limites da língua portuguesa e experimentando ritmos e cadências enraizados na diáspora africana.”