
Nascida em Ijuí, Rio Grande do Sul, em maio de 1966, Eliane Brum é uma das vozes mais respeitadas do jornalismo brasileiro. Formou-se pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) em 1988 e iniciou sua carreira no jornalismo tradicional, trabalhando por 11 anos como repórter do jornal Zero Hora, em Porto Alegre, e por 10 anos como repórter especial da Revista Época, em São Paulo. Sua trajetória é marcada pela sensibilidade e pela busca por narrativas que dão voz a pessoas e realidades frequentemente invisibilizadas, o que ela denomina de 'jornalismo de rua' ou 'polifônico'. Desde 2010, atua como jornalista freelancer, dedicando-se a projetos de longo prazo e aprofundados. Em 2017, tomou a decisão significativa de se mudar de São Paulo para Altamira, no Pará, no coração da Amazônia, impulsionada pela convicção de que a floresta é o 'centro do mundo' e um epicentro da crise climática. Ela é colunista do jornal espanhol El País e colaboradora de veículos internacionais como The Guardian e The New York Times. Em setembro de 2022, co-fundou a SUMAÚMA, uma plataforma de jornalismo trilingue com sede na Amazônia, focada em contar histórias a partir da perspectiva da floresta e de seus povos.
A carreira de Eliane Brum é caracterizada por uma evolução do jornalismo tradicional de grandes redações para uma abordagem mais independente e engajada. Após anos de reportagens sobre temas diversos, ela consolidou um estilo único, que busca o extraordinário na vida cotidiana e nas realidades marginais, desafiando narrativas dominantes. Sua escrita é um ato de investigação e transformação, visando tornar visíveis os 'desacontecimentos' – as histórias que não chegam às manchetes convencionais. A partir de 2017, sua mudança para a Amazônia marcou uma nova fase em sua trajetória, dedicando-se integralmente à cobertura e à denúncia da destruição da floresta e à valorização dos saberes dos povos originários. Ela argumenta que a 'amazonização' do pensamento é crucial para enfrentar o colapso climático, propondo uma nova linguagem para narrar a relação entre humanos e o planeta. Sua obra literária reflete essa imersão, mesclando reportagem, ensaio e reflexão pessoal sobre a vida, a morte e o propósito da existência.

“Após se mudar para Altamira, na Amazônia, Eliane Brum entrelaça vivência pessoal com rigorosa investigação jornalística para expor a destruição da floresta e o impacto das ações humanas no colapso climático. O livro propõe uma 'amazonização' do pensamento, desafiando a visão ocidental e clamando por uma nova relação com a natureza, os povos da floresta e o próprio corpo. Utilizando termos como 'banzeiro' (vórtice do rio) e 'òkòtó' (concha em espiral iorubá), a obra é um apelo urgente à transformação e à resistência.”

“O primeiro romance da autora, 'Uma Duas', explora a complexa e, por vezes, tempestuosa relação entre mãe e filha. A história de Laura e Maria Lúcia é um mergulho profundo nos laços afetivos que as unem e, ao mesmo tempo, as separam. Brum aborda a maternidade e as dinâmicas familiares com uma escrita visceral e sem romantizações, tratando de amor, ódio, culpa e a incessante busca por identidade e libertação mútua.”