
Edgard Telles Ribeiro nasceu em Valparaíso, no Chile, em 1944, e é brasileiro nato por ser filho de diplomata a serviço da República. No início de sua carreira, destacou-se como crítico de cinema no Rio de Janeiro e estudou na Universidade da Califórnia (UCLA), chegando a dirigir filmes que participaram de festivais como o de Cannes e a lecionar na Universidade de Brasília (UnB). Ao ingressar na carreira diplomática, em 1968, dedicou grande parte de sua atuação à diplomacia cultural do Ministério das Relações Exteriores, chefiando o setor entre 2002 e 2005, além de ter sido embaixador do Brasil na Nova Zelândia, Malásia e Tailândia. Apesar da afinidade com a escrita desde jovem, sua estreia literária ocorreu apenas aos 45 anos, em 1991, com o romance 'O criado-mudo'. A partir de então, consolidou-se como um dos autores mais refinados de sua geração, publicando cerca de quinze obras que abarcam contos, novelas e romances. Sua prosa aclamada aborda os complexos labirintos da mente humana, a introspecção memorialística e a profunda análise dos porões do autoritarismo no Brasil, com seus livros tendo sido traduzidos e publicados nos Estados Unidos e em diversos países da Europa. Em reconhecimento à sua inestimável contribuição à cultura e às letras do país, Edgard Telles Ribeiro foi eleito em 11 de dezembro de 2024 para ocupar a Cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras (ABL), preenchendo a vaga deixada pelo falecimento do poeta Antonio Cicero. Ele tomou posse oficial como imortal no dia 4 de abril de 2025, celebrando a contínua simbiose entre a diplomacia e a literatura nacional.
A trajetória narrativa de Edgard Telles Ribeiro é fortemente matizada por suas incursões na diplomacia e pela sua visão de cineasta. Trabalhando frequentemente com o chamado neobarroco literário, sua escrita incorpora multiperspectivação, flashbacks e montagens que evocam estruturas de um roteiro de cinema. Sua prosa, frequentemente elogiada por sua clareza afiada, constrói universos labirínticos repletos de segredos silenciados, amores clandestinos e jogos de poder nos bastidores governamentais. Ao evitar o maniqueísmo, Edgard constrói personagens de enorme ambiguidade moral, utilizando a observação distanciada para refletir sobre a degradação ética, a corrosão pelo poder e a implacabilidade da memória, firmando-se como uma das vozes literárias mais consistentes e sofisticadas do Brasil.

“Premiado como o Melhor Romance pelo PEN Clube do Brasil, o livro é uma dissecação visceral e realista da diplomacia brasileira durante os anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985). Narrado pela ótica de um diplomata que observa de perto a ascensão meteórica do ambíguo colega Max, a obra aborda temas indigestos como delações, espionagem em conluio com a CIA, cumplicidades silenciosas e a corrupção moral de intelectuais encastelados no poder. Escrito de forma polida e inclemente, rompe a ilusão de neutralidade institucional e se estabelece como um marco da ficção política nacional.”

“Contemplada com o Prêmio da Academia Brasileira de Letras (Melhor Obra de Ficção), a narrativa transborda metamemória e lirismo ao explorar o retorno de um homem idoso e cansado à cidade litorânea de Cassis, na França — seu exato local de nascimento — para encerrar sua existência. Ao longo dessa jornada íntima e melancólica, o protagonista rememora e reconta de forma labiríntica suas múltiplas vivências passadas como garçom, mordomo, tradutor e até contrabandista, confrontando frontalmente os efeitos ineludíveis do tempo em sua identidade.”