
Denise Bernuzzi de Sant'Anna é historiadora e professora livre-docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde leciona nos programas de Pós-Graduação em História e em Psicologia Clínica. Doutorou-se em História das Civilizações Ocidentais pela Universidade de Paris VII em 1994, sob a orientação da renomada historiadora Michelle Perrot, com uma tese focada nos cuidados com a aparência ao longo do século XX. Sua trajetória acadêmica é marcada pelo pioneirismo nos estudos sobre a história do corpo, da saúde e da beleza no Brasil. Após décadas dedicadas a ensaios historiográficos e artigos acadêmicos, Denise estreou na ficção em 2022 com o romance 'A Cabeça do Pai', publicado pela editora Todavia. A obra foi recebida com entusiasmo pela crítica literária por sua escrita visceral e poética sobre a fragilidade humana e os laços familiares.
A carreira de Denise Sant'Anna é caracterizada por uma profunda investigação da materialidade humana e da subjetividade. Seus livros de não ficção exploram como o corpo brasileiro foi moldado por padrões de beleza, higiene e medicalização ao longo do tempo. Na ficção, ela transporta esse rigor investigativo para a literatura sensível, utilizando o corpo — em seus estados de saúde e decadência — como o fio condutor de narrativas sobre memória e afeto. Seu estilo literário é descrito como leve, porém denso, equilibrando o memorialismo com reflexões filosóficas sobre a vulnerabilidade.

“Neste romance de estreia, a narradora acompanha o declínio físico de seu pai após um AVC hemorrágico. Estruturado em capítulos que levam nomes de partes do corpo ou órgãos, o livro costura memórias de infância, a medicalização da velhice e a descoberta da sexualidade, refletindo sobre a potência e a fragilidade da vida diante da morte iminente.”

“Uma obra fundamental que mapeia como as noções de fealdade e beleza foram construídas na sociedade brasileira. A autora utiliza fotos, anúncios e relatos históricos para demonstrar como o corpo se tornou um objeto de construção política e subjetiva, especialmente a partir da influência europeia e americana.”