
Decio Zylbersztajn nasceu em 1953 no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, filho de imigrantes europeus que chegaram ao Brasil no período entre as grandes guerras. Formou-se em Agronomia pela ESALQ-USP e consolidou uma carreira de prestígio como professor titular da FEA-USP, sendo uma das maiores autoridades do país em economia das organizações e agronegócio. Sua incursão na literatura de ficção ocorreu como um desdobramento de sua sensibilidade artística, buscando na escrita uma forma de capturar a densidade humana que escapa aos métodos científicos. Além de escritor, Decio é um dedicado violeiro, integrante do duo 'Vereda Violeira', onde resgata a música tradicional de raiz. Essa vivência musical e o trânsito constante entre o meio acadêmico urbano e o universo rural brasileiro conferem à sua obra literária um tom único, que une a precisão da observação econômica à fluidez do ritmo narrativo. Ele estreou individualmente na ficção com a coletânea de contos 'Como são cativantes os jardins de Berlim' em 2014.
A carreira literária de Decio é caracterizada por uma prosa concisa e rítmica, fortemente influenciada pela técnica do conto e pela música caipira. Sua trajetória na ficção foi precedida por décadas de produção técnica, o que lhe conferiu um olhar aguçado para as estruturas sociais e as trajetórias individuais. Em sua obra, Decio frequentemente aborda o contraste entre o cosmopolitismo urbano e a persistência das tradições rurais, utilizando o bairro do Bom Retiro e as fazendas do interior como cenários para investigar identidades e deslocamentos humanos.

“Nesta obra de estreia, o autor reúne onze contos que refletem sua formação multifacetada. Os relatos transitam entre as ruas do Bom Retiro, marcadas pela herança judaica, e o interior do Brasil profundo, onde a viola e a fé ditam o ritmo da vida. O conto que dá título ao livro aborda a complexidade das interações humanas na Berlim contemporânea, enquanto outras histórias, como 'O milagre de São Gonçalo', mergulham no folclore e na resistência das culturas locais frente à urbanização.”