
Nascida no Rio de Janeiro em 1959, Deborah Dornellas foi criada em Brasília e atualmente reside em João Pessoa. Ela se destaca como escritora, jornalista, tradutora e também como aprendiz de artista plástica. Sua formação acadêmica inclui graduação em Letras (Português/Inglês) pela PUC Campinas e em Comunicação Social pela UnB. Possui um mestrado em História pela UnB, com uma dissertação focada no maracatu nação pernambucano, e é pós-graduada em Formação de Escritores pelo ISE-Vera Cruz. Essa sólida base educacional, aliada às suas experiências de vida, influencia profundamente sua produção literária. A trajetória literária de Dornellas ganhou proeminência com seu romance de estreia, 'Por Cima do Mar' (2018), que conquistou o prestigiado Prêmio Casa de las Américas em 2019 na categoria de literatura brasileira e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano. Seu estilo de escrita é marcado por uma pesquisa histórica aprofundada e pela abordagem de questões sociais relevantes, como racismo, sexismo e desigualdade. Ela frequentemente explora a identidade afro-brasileira, as vivências de comunidades marginalizadas e a história da construção de Brasília. Além disso, é conhecida por ilustrar suas próprias obras, como observado em 'Por Cima do Mar'. Ela integra coletivos literários como o Coletivo Literário Martelinho de Ouro, o Clube do Conto da Paraíba e o Mulherio das Letras, participando de publicações coletivas e promovendo um ambiente literário colaborativo. Seu processo criativo para romances pode ser extenso, levando anos para transformar ideias fragmentadas em narrativas coesas.
A carreira de Deborah Dornellas é caracterizada pela intersecção de múltiplas formas de expressão artística e intelectual. Como escritora, ela se aprofunda em narrativas que conectam o Brasil e a África, explorando a diáspora africana e as complexas dinâmicas sociais brasileiras. 'Por Cima do Mar' é um exemplo primordial de sua abordagem, tecendo a história de Lígia Vitalina através de memórias, infância, maturidade e as pontes entre os dois continentes. O romance é elogiado por sua audácia estrutural e a profundidade com que trata temas como o racismo, o sexismo e a desigualdade, e também a saga dos candangos, trabalhadores da construção de Brasília, e a exclusão das pessoas das cidades-satélites. A autora demonstra um compromisso com a pesquisa minuciosa, que confere autenticidade e riqueza às suas narrativas. Seu estilo literário é fluido, mas impactante, capaz de transportar o leitor para as realidades de seus personagens, muitas vezes em contextos de adversidade. Sua participação em coletivos literários, como o Martelinho de Ouro, e a inclusão de suas próprias ilustrações em suas obras, sublinham seu perfil multifacetado e sua paixão por diferentes linguagens artísticas. A escrita de Dornellas é descrita como vinda 'das entranhas', agarrando os sentidos do leitor pela força e profundidade de sua prosa.

“O romance 'Por Cima do Mar' de Deborah Dornellas é uma narrativa afro-atlântica que mergulha na história, memória e geopolítica para traçar a conexão entre a periferia brasileira e a diáspora africana. A protagonista, Lígia Vitalina, uma historiadora negra da periferia de Brasília e filha de um dos operários que construíram a cidade, embarca em uma viagem para Benguela, Angola. Através de sua jornada, o livro expõe as invisibilidades, violências e o 'apartheid institucionalizado' vivenciado por pessoas negras e marginalizadas no Brasil. A obra é elogiada por sua abordagem antirracista e pela forma como conecta as realidades de Brasília e Angola, construindo um entendimento profundo sobre a identidade e a ancestralidade. As ilustrações da própria autora enriquecem a experiência da leitura.”

“Esta coletânea de contos de Deborah Dornellas propõe uma imersão nas camadas subterrâneas da realidade humana, rasgando a superfície para revelar um turbilhão de emoções e experiências. O livro aborda temas como podridões, ressentimentos, saudades, desistências, sofrimentos, sentimentos, desejos, ausências, medos e solidão, com cenários frequentemente vívidos e dinâmicos, característicos da escrita da autora. Alguns contos se destacam, como 'Helena e Spartacus', que explora a finitude de pessoas e coisas, e 'Teu', que aborda o horror da pedofilia, demonstrando a potência e a profundidade da prosa de Dornellas. A obra convida o leitor a um mergulho em narrativas intensas e cativantes, que 'agarram os nossos sentidos'.”