
Cristovão Cesar Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 21 de agosto de 1952. Em 1959, após a morte de seu pai, sua família mudou-se para Curitiba, Paraná, cidade que se tornaria um cenário recorrente em sua obra literária. Na juventude, teve forte envolvimento com o teatro, participando de diversas montagens e integrando o Centro Capela de Artes Populares entre 1968 e 1977. Em 1974, Tezza foi para Portugal com o intuito de estudar Letras na Universidade de Coimbra, mas a Revolução dos Cravos o levou a viajar pela Europa antes de retornar ao Brasil em 1976. De volta ao Brasil, formou-se em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1982. Concluiu o mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde também lecionou Língua Portuguesa. Em 1986, retornou a Curitiba para ser professor na UFPR, e em 2001 defendeu seu doutorado em Literatura Brasileira pela USP. Sua carreira acadêmica durou até 2009, quando, impulsionado pelo sucesso de "O Filho Eterno", decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura. Tezza é considerado um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea, com uma vasta obra que inclui romances, contos, crônicas, ensaios e poemas. Suas narrativas são frequentemente marcadas por um tom confessional e pela exploração de elementos autobiográficos, com uma linguagem precisa e compacta. Seus livros já foram traduzidos para mais de quinze países, e ele coleciona os principais prêmios literários do Brasil.
A trajetória literária de Cristovão Tezza é caracterizada por um estilo marcante que frequentemente mescla ficção e elementos autobiográficos, abordando temas complexos da condição humana e da sociedade brasileira. Seus romances são notáveis pela presença de múltiplos narradores e por uma escrita "confessional", onde as experiências pessoais do autor, como a relação com seu filho com Síndrome de Down em "O Filho Eterno", são transformadas em arte literária, mantendo uma distância ficcional por meio de uma elaborada estrutura textual. Curitiba, cidade onde reside desde a infância, serve como pano de fundo para muitas de suas histórias, criando um universo familiar e palpável para seus personagens. A crítica especializada destaca a sintaxe precisa de Tezza e seu engajamento com questões sociais e existenciais contemporâneas. Além da ficção, ele também produziu ensaios acadêmicos, como sua tese de doutorado "Entre a prosa e a poesia - Bakhtin e o formalismo russo", e coletâneas de crônicas, demonstrando sua versatilidade e profundidade intelectual. O sucesso de "O Filho Eterno" em 2007 foi um divisor de águas, levando-o a se dedicar integralmente à escrita e consolidando sua posição entre os grandes nomes da literatura brasileira.

“Este aclamado romance autobiográfico narra a jornada emocional de um pai que lida com o nascimento e a criação de seu filho com Síndrome de Down, Felipe. A obra expõe as inúmeras dificuldades e as saborosas pequenas vitórias dessa experiência, desde o choque inicial e a negação até a aceitação e o amor incondicional. Tezza entrelaça a história pessoal com reflexões sobre a vida, a paternidade e a sociedade brasileira da década de 1980, onde o conhecimento sobre a condição era limitado. O livro, adaptado para cinema e teatro, é um dos mais premiados do autor, reconhecido por sua coragem e sensibilidade.”

“Um "romance da memória" que se baseia na correspondência deixada por seu pai, explorando temas de herança e lembranças familiares.”