
Nascida em São Paulo em 29 de maio de 1971, Cris Judar é uma figura proeminente na literatura brasileira contemporânea. Possui pós-graduação em Jornalismo Cultural pela FAAP e atualmente cursa Doutorado em Literatura no Programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa na FFLCH - USP. Sua trajetória profissional começou no jornalismo, mas sua paixão pela narrativa a conduziu para a ficção, onde rapidamente conquistou reconhecimento por sua voz autoral única. Sua produção literária abrange graphic novels, contos e romances, nos quais frequentemente aborda temas complexos como as realidades vividas por existências não-normativas em grandes centros urbanos, a intrincada relação entre o corpo e a cidade, e as múltiplas expressões da identidade. As narrativas de Judar são marcadas por uma linguagem vibrante e um estilo singular, que desafia papéis sociais e discute questões de violência, perseguição religiosa e a busca por liberdade e direitos. Ela é laureada com diversos prêmios literários de prestígio, incluindo o Prêmio São Paulo de Literatura, consolidando-se como uma voz essencial na cena literária brasileira.
A jornada literária de Cris Judar é caracterizada por um estilo distintivo que investiga as experiências de identidades marginalizadas e o impacto das estruturas sociais nos indivíduos. Suas primeiras obras incluem as graphic novels "Lina" (2009) e "Vermelho, Vivo" (2011), ambas com ilustrações de Bruno Auriema. Judar alcançou notável reconhecimento com sua coletânea de contos "Roteiros para uma Vida Curta" (2016), que recebeu Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura em 2014. Seu romance de estreia, "Oito do Sete" (2017), foi um marco em sua carreira, sendo agraciado com o Prêmio São Paulo de Literatura 2018 e finalista do Prêmio Jabuti 2018. Este romance é conhecido por sua estrutura narrativa experimental, com múltiplas vozes, incluindo uma cidade, que delineou sua abordagem complexa e provocadora de histórias. Seu romance subsequente, "Elas marchavam sob o sol" (2021), consolidou ainda mais sua reputação, explorando temas como violência, ancestralidade e a ressignificação dos corpos através das jornadas paralelas de duas jovens mulheres. Judar também coorganizou antologias importantes como "A resistência dos vaga-lumes" (2019), focada em autores LGBTQ+ brasileiros, e "Pandemônio: nove narrativas entre São Paulo – Berlim" (2020), demonstrando seu engajamento com diálogos literários e sociais mais amplos. Sua obra é marcada pelo compromisso com a linguagem inclusiva e uma profunda exploração dos direitos humanos e da justiça social.

“O romance de estreia de Cris Judar, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, é narrado por quatro vozes distintas – duas amantes (Magda e Glória), um Serafim e a cidade de Roma. A obra explora temas de amor, identidade e o universo urbano, destacando-se pela estrutura engenhosa e alta voltagem lírica, desafiando o leitor a mergulhar em uma escrita inquietante.”

“Este romance entrelaça as trajetórias de duas jovens, Ana e Joan, que estão prestes a completar dezoito anos. Suas vivências, uma diurna e contemporânea, e a outra noturna e ancestral, são apresentadas em paralelo. A obra é um libelo sobre violência, perseguição religiosa, perda de liberdade e direitos, e a necessidade da ressignificação dos corpos e dos ritos.”