
Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em 29 de novembro de 1946, em uma favela de Belo Horizonte, Minas Gerais. De origem humilde, trabalhou como empregada doméstica para custear seus estudos. Concluiu o curso de magistério em 1971 e, em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro após ser aprovada em concurso público para professora. Posteriormente, graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obteve mestrado em Literatura Brasileira pela PUC-Rio (1996) e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2011. Sua trajetória literária começou a se firmar na década de 1990, com a publicação de seus primeiros poemas e contos na série 'Cadernos Negros', do grupo Quilombhoje. Evaristo é uma das vozes mais significativas da literatura contemporânea brasileira, com obras que exploram temas como racismo, desigualdade social, gênero, ancestralidade e memória. Ela é a criadora do conceito de 'escrevivência', que se refere à escrita de um corpo, de uma condição e de uma experiência negra no Brasil, buscando dar voz e visibilidade às vivências marginalizadas. Suas obras frequentemente apresentam o protagonismo feminino, o lirismo e a denúncia do preconceito, confrontando o leitor com a realidade brasileira. A autora já teve seus livros traduzidos para diversos idiomas, como inglês, francês, espanhol e árabe, e seus contos são estudados em universidades no Brasil e no exterior.
A carreira de Conceição Evaristo é marcada pela resiliência e pela potente 'escrevivência', um termo cunhado por ela que une 'escrita' e 'vivência', refletindo a indissociabilidade entre sua produção literária e as experiências do povo negro no Brasil. Começou a publicar na série 'Cadernos Negros' na década de 1990, tornando-se uma figura central na literatura afro-brasileira. Seu estilo literário é caracterizado pelo lirismo, pela profundidade psicológica dos personagens e pela forte denúncia de discriminação racial, social e de gênero. Suas obras frequentemente abordam a ancestralidade, a memória coletiva, o protagonismo feminino e as realidades da periferia e das comunidades negras, desafiando narrativas hegemônicas e ampliando as vozes na literatura nacional. Além de romancista, contista e poetisa, Evaristo é ensaísta, professora e pesquisadora, com mestrado e doutorado em literatura, o que demonstra a solidez de sua formação acadêmica aliada à sua expressiva produção artística.

“Vencedor do Jabuti. Coletânea de contos que retrata a população afro-brasileira com uma sensibilidade cortante, abordando a pobreza, a violência urbana e a força ancestral das mulheres.”

“Publicação da dissertação de mestrado de Conceição Evaristo, defendida originalmente em 1996, que analisa a construção da identidade e da resistência na literatura de autoria negra no Brasil.”