
Nascido em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda é filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim. Desde cedo, demonstrou interesse por literatura e música, cultivando sua criatividade em um ambiente familiar intelectual. Sua carreira artística despontou na década de 1960, quando se tornou um dos nomes mais proeminentes da Música Popular Brasileira (MPB), compondo canções que se tornaram ícones da cultura brasileira. Durante a ditadura militar brasileira, Chico Buarque foi uma voz ativa de resistência, utilizando metáforas em suas letras para contornar a censura. Em 1969, autoexilou-se na Itália, retornando em 1970 para continuar sua produção artística e seu engajamento político. Paralelamente à música, Chico desenvolveu uma sólida carreira literária, iniciando com a publicação de romances e peças teatrais que exploram a complexidade da condição humana e da sociedade brasileira. Ao longo de sua vida pessoal, foi casado com a atriz Marieta Severo entre 1966 e 1999, com quem teve três filhas, e posteriormente com a advogada Carol Proner em 2021. Sua obra, tanto musical quanto literária, é marcada por um profundo senso crítico, lirismo e uma habilidade ímpar de traduzir as nuances do Brasil em suas mais diversas manifestações artísticas.
A trajetória artística de Chico Buarque começou a se delinear na efervescente cena musical brasileira dos anos 1960, onde rapidamente se consolidou como um dos principais cantores e compositores da MPB. Suas canções, muitas vezes carregadas de crítica social e política, o tornaram um símbolo de resistência durante o regime militar, período em que enfrentou censura e chegou a se autoexilar na Itália. A partir da década de 1970, Chico Buarque expandiu sua atuação para a literatura, demonstrando uma notável versatilidade. Sua estreia no romance com "Estorvo" (1991) foi um marco, recebendo aclamação da crítica e o prestigioso Prêmio Jabuti. Sua escrita é caracterizada por narrativas complexas, explorando temas como memória, identidade, decadência social e o cotidiano do Rio de Janeiro, muitas vezes borrando as fronteiras entre realidade, sonho e delírio. Recebeu múltiplos prêmios literários, incluindo o Prêmio Camões em 2019 pelo conjunto de sua obra, consolidando sua posição como uma das vozes mais importantes da literatura em língua portuguesa.

“O narrador, preso entre o sonho e a vigília, inicia uma trajetória obsessiva e alucinada após a campainha de sua casa tocar, deparando-se com situações e personagens estranhamente familiares. Este romance de estreia na literatura de Chico Buarque foi aclamado pela crítica por sua originalidade e profundidade psicológica, explorando a fragilidade da realidade e a busca por identidade em um cenário opressivo e onírico.”

“A história de um ghost-writer que vive entre o Rio de Janeiro e Budapeste. Uma investigação fascinante sobre a linguagem, a identidade, o anonimato e o duplo.”