
Carlos Eduardo Pereira nasceu no Rio de Janeiro, em 1973. Antes de se dedicar à escrita, foi professor de História por 15 anos e cursou Letras na PUC-Rio, com habilitação em Formação do Escritor. Em 2010, tornou-se cadeirante devido a uma doença autoimune, o que o levou a buscar na literatura uma nova ocupação. Sua estreia no cenário literário se deu com contos publicados em antologias como "Contos de ocasião" e "164 – Circular". Em 2017, lançou seu primeiro romance, "Enquanto os dentes", pela Editora Todavia, obra aclamada pela crítica e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2022, publicou "Agora agora", também pela Todavia, que aborda temas sociais como racismo e militarismo, e foi finalista do Prêmio Jabuti. O autor também se aventurou na literatura infantil com "Bailinho", publicado em 2023. Sua obra tem sido elogiada por sua linguagem cortante e por discutir temas sociais relevantes, com personagens complexos e assombrados por traumas e violências cotidianas.
A trajetória literária de Carlos Eduardo Pereira é marcada por uma transição do ensino de história para a escrita, impulsionada por uma mudança de vida. Sua formação em Letras e a paixão pelo cinema influenciaram sua abordagem narrativa. Ele é reconhecido por uma escrita que se aprofunda em questões sociais complexas, explorando temas como racismo, machismo, homofobia, intolerância e luta de classes, muitas vezes ambientando suas histórias em cenários familiares ao Rio de Janeiro. Pereira constrói narrativas com linguagem direta e provocadora, evitando rodeios, e desenvolve personagens psicologicamente densos, frequentemente confrontados por seus traumas e a passividade diante das adversidades. Seu estilo foi elogiado por autores como Paulo Scott e Carola Saavedra, que o consideram uma revelação da literatura brasileira contemporânea.

“Uma manhã chuvosa no Rio de Janeiro. Antônio, um cadeirante negro de classe média, circula pela cidade enquanto um caminhão carrega sua pequena mudança. Endividado e sem alternativa, Antônio está voltando à casa dos pais. O romance narra as reminiscências, anseios e fissuras emocionais de Antônio, um cadeirante negro de classe média, em sua iminente volta à casa dos pais, abordando questões como racismo, machismo e homofobia.”

“Jorge Neto acorda com o despertador do celular no dia de seu aniversário, escova os dentes e se corta fazendo a barba. Decidido a não sair de casa, rumina sobre a decadência do mundo à sua volta. A história é composta de três partes e três Jorges (o avô, o filho e o neto) que encadeiam violências concretas e simbólicas ao longo de gerações de uma família negra carioca, traçando um panorama do racismo no Brasil.”