
Carlos de Brito e Mello nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1974. É mestre em Comunicação Social, professor universitário e psicanalista. Sua trajetória literária teve início em 2007, com a publicação da coletânea de contos 'O cadáver ri dos seus despojos'. Em 2008, foi reconhecido como vencedor do Prêmio Governador de Minas Gerais de Literatura na categoria Jovem Escritor Mineiro. Sua obra, frequentemente elogiada pela originalidade e inovação, explora a criação de situações fantásticas e hiperbólicas para gerar efeitos de estranhamento, com a morte e a materialidade dos corpos sendo temas recorrentes. Ao longo de sua carreira, Brito e Mello demonstrou um estilo literário preciso e fragmentado, incorporando ironia e humor negro em suas narrativas. Foi finalista de importantes prêmios literários no Brasil e em Portugal, consolidando-se como uma voz relevante na literatura contemporânea. Além de sua atuação como escritor, também lecionou Semiótica, Teorias da Comunicação e Metodologia entre 2001 e 2014, e é doutor em Comunicação Social pela UFMG. Recentemente, expandiu sua produção para a literatura infantil, motivado pela experiência da paternidade, demonstrando sua versatilidade e a profundidade de sua exploração sobre as relações humanas e a linguagem. Ele também atua como artista plástico, desenvolvendo projetos relacionados à escrita, desenho, pintura, performance e ação urbana.
A trajetória literária de Carlos de Brito e Mello é marcada pela originalidade e por uma abordagem inventiva de temas complexos. Sua escrita se destaca pela exploração da morte, do corpo e da linguagem, muitas vezes através de situações fantásticas e hiperbólicas que provocam estranhamento no leitor. O autor utiliza uma linguagem fragmentada e precisa, permeada por ironia e humor negro, para construir narrativas instigantes. Seus romances são caracterizados por estruturas não convencionais e pela alternância de múltiplas vozes, afastando-se de narrativas lineares e explorando o texto como um campo de investigação sobre a potência da escrita. A influência de autores como Franz Kafka, Lúcio Cardoso e Guimarães Rosa é citada por ele, além de Maurice Blanchot em relação à morte e à linguagem. Sua incursão na literatura infantil reflete uma expansão de sua poética, abordando a paternidade e os laços afetivos com a mesma sensibilidade e profundidade. Além da literatura, Carlos de Brito e Mello também se expressa através das artes plásticas, com projetos de escrita, desenho, pintura e performances urbanas, indicando uma visão artística multidisciplinar.

“Romance de estreia que narra, com impactante ironia, a história de uma família que mantém um cadáver na sala de jantar, intercalada com descrições de mortes em cidades do interior de Minas Gerais. O narrador-personagem, figura indefinível e incorpórea, registra óbitos e se depara com a situação surreal, levando a uma reflexão inusitada sobre a morte, a memória, a linguagem e o ofício de narrar, com uma prosa fragmentada e acelerada.”

“Um auto moralizante de classe média no Brasil contemporâneo. O romance satírico constrói-se a partir das muitas vozes de seus personagens, trilhando um caminho singular na literatura brasileira. Um 'inquisidor' percorre a cidade apontando as falhas dos habitantes, que aderem ao comportamento, transformando a cidade em um auto de fé. O resultado, hilário e com um travo amargo, é um retrato da subserviência e uma crítica social, com uma visão anárquica sobre a morte, os maus hábitos e a mediocridade.”