
Camilla Loreta é uma escritora brasileira com formação em Audiovisual e História da Arte, obtida em São Paulo. Sua incursão no campo artístico não se limitou à literatura, tendo dirigido dois curtas-metragens notáveis, "Clara" e "O Silêncio das Pedras". Sua paixão pela arte e narrativa a levou a participar de diversas residências artísticas, sendo a experiência "The artist meeting", em Marianowo, na Polônia, em 2016, um catalisador para a escrita de seu primeiro romance. Atualmente, Camilla Loreta aprofunda seus conhecimentos na escrita de ficção, cursando a pós-graduação do Instituto Vera Cruz para escritores. Além de sua obra literária, ela contribui regularmente com a coluna "Palimpsesto" na Revista Vício Velho, demonstrando seu engajamento contínuo com a crítica e a produção textual. Sua estreia como romancista foi marcada pelo lançamento de "Sândalo vermelho e os gatunos olhos dela" em 2023 pela Editora Urutau, solidificando sua posição no cenário literário brasileiro.
A trajetória de Camilla Loreta é interdisciplinar, transitando de forma fluida entre as artes visuais e a literatura. Sua formação em Audiovisual e História da Arte em São Paulo forneceu uma base sólida para sua abordagem narrativa, que frequentemente explora a interseção entre imagem e palavra. O ponto de virada em sua carreira literária foi sua residência artística na Polônia em 2016, um evento que não apenas a inspirou profundamente, mas também a conectou às suas próprias raízes, dado que parte de sua família paterna é dessa localidade, influenciando diretamente a ambientação de seu romance de estreia. Seu estilo literário, evidenciado em "Sândalo vermelho e os gatunos olhos dela", é caracterizado pela linguagem onírica e pela exploração de temas complexos como ancestralidade, linhagem materna e as intrincadas conexões entre passado e presente. A autora utiliza diários de viagem e memórias para construir narrativas que são ao mesmo tempo íntimas e universais, tecendo elementos de fantasia e introspecção. Sua prosa é descrita como ágil, e ela demonstra uma habilidade particular em ambientar histórias em contextos contemporâneos, como a Polônia, enquanto explora profundas questões de identidade e pertencimento. Seu trabalho atual na pós-graduação reforça seu compromisso com o aprimoramento contínuo de sua arte como escritora de ficção.

“Publicado pela Editora Urutau, este romance acompanha Léia Stachewski, filha de pai polonês e mãe brasileira, em uma travessia de carro pelo Leste Europeu. Perdida em um território gelado, ela revisita momentos de sua formação no Rio de Janeiro e de suas origens familiares. A narrativa utiliza uma linguagem que transita entre diários de viagem, o onírico e as conexões entre passado e presente, abordando a travessia e o inconsciente da protagonista em uma Polônia contemporânea, com inspirações em figuras históricas como a cigana Papusza e a princesa Sydonia Von Bork, além de um astronauta fictício.”

“Os poemas deste livro nascem sob o efeito da violenta perturbação da ordem natural provocada pela humanidade. O título carrega uma dolorosa ironia: talvez a fase da mera perturbação já tenha passado, e agora o que resta é a última ilusão antes do fim. A obra persegue o apocalipse como quem escuta vozes comuns, familiares, e as transcreve de forma simples. A autora busca a palavra-primeira, escutada na música ao redor e transmitida como prenúncio de si mesma.”