
Nascida em 1985 no Complexo de Senador Camará, na periferia do Rio de Janeiro, Bruna Mitrano é uma voz proeminente na poesia contemporânea brasileira. Formada e mestra em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ela também atua como professora e articuladora cultural. Sua trajetória literária é marcada por uma profunda conexão com as vivências das comunidades periféricas, transformando a dureza do cotidiano em uma poesia crua, mas carregada de uma sensibilidade singular. Mitrano começou a escrever em prosa, mas eventualmente encontrou na poesia uma forma mais autêntica de expressão, desafiando a percepção tradicional do que um poeta deveria ser. Ela também é uma artista visual, tendo ilustrado seu primeiro livro, e seus textos foram publicados em diversas antologias no Brasil e no exterior, com traduções para o inglês.
A trajetória literária de Bruna Mitrano é caracterizada por sua dedicação em dar voz às realidades marginalizadas e à complexidade da condição feminina. Em 2010, antes de seu primeiro livro, ela foi uma das vencedoras do Prêmio Off-Flip, indicando seu talento promissor. Sua obra de estreia, o livro de poemas "Não" (Editora Patuá, 2016), já trazia em suas páginas, e em suas próprias ilustrações, o universo dos desfavorecidos, explorando temas como a pobreza, a violência e o aborto, e afirmando uma poética de resistência. Com "Ninguém quis ver" (Companhia das Letras, 2023), Mitrano consolida-se como uma das grandes revelações da poesia brasileira contemporânea. Neste livro, dedicado à sua avó, a autora aprofunda suas reflexões sobre a vida à margem, a desigualdade de gênero e o contexto social, abordando a invisibilidade das mulheres com uma perspectiva que, embora por vezes dolorosa, busca o diálogo e a transformação. Sua poesia é notavelmente narrativa, misturando o pessoal e o coletivo, e tem ressoado com um público amplo, especialmente jovem, em parte devido à sua presença e a temas relevantes nas redes sociais.

“A obra de estreia de Bruna Mitrano, composta por poemas e ilustrações da autora, mergulha nas experiências das comunidades periféricas do Rio de Janeiro. A coletânea dá voz aos que vivem à margem, abordando questões como a ausência de direitos básicos, a violência, a pobreza e as dificuldades enfrentadas por crianças e mulheres, com destaque para a temática do aborto e a resistência em meio a uma realidade opressora.”

“Este livro de poesia, um dos mais recentes trabalhos de Bruna Mitrano, é uma exploração profunda das reflexões sobre a vida nas periferias. A autora dedica a obra à sua avó e utiliza a narrativa poética para abordar a desigualdade de gênero, o contexto geográfico e social, e a luta contra a invisibilidade das mulheres. Com uma linguagem direta e impactante, o livro é aclamado por sua capacidade de confrontar realidades que 'ninguém quer ver', promovendo o diálogo e a transformação social.”