
Nascida em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, em 5 de março de 1984, Bruna Beber Franco Alexandrino de Lima é uma multifacetada artista brasileira. Após colaborar com diversos sites, blogs e revistas de literatura, poesia e música durante os anos 2000, ela fez sua estreia literária em setembro de 2006 com o livro de poesia 'A fila sem fim dos demônios descontentes'. Em 2007, mudou-se para São Paulo, onde reside desde então, e expandiu sua atuação para além da escrita, explorando as artes visuais, a composição musical e a pesquisa. Além de sua prolífica carreira como poeta, Bruna Beber é uma notável tradutora, tendo vertido para o português obras de autores como Lewis Carroll, Sylvia Plath e Neil Gaiman, e sua tradução de 'Hamlet' de Shakespeare foi elogiada por sua fluidez. Em 2021, obteve o Mestrado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com a dissertação "Uma encarnação encarnada em mim: cosmogonias encruzilhadas em Stella do Patrocínio", que posteriormente virou livro. Sua participação em eventos literários nacionais e internacionais, como a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e a Göteborg Book Fair, solidificou seu lugar entre os importantes nomes da literatura contemporânea brasileira.
A trajetória literária de Bruna Beber é marcada por uma poesia que combina de forma original humor e melancolia, abordando os 'azares da vida amorosa, revelando breves instantâneos da paisagem urbana brasileira e refletindo sobre o próprio ofício de escritora, driblando com igual habilidade o solene e o banal'. Seus poemas, reconhecidos como alguns dos mais importantes de sua geração, já foram publicados em diversas revistas e antologias no Brasil e no exterior, incluindo Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. Ela transita entre as memórias da infância na Baixada Fluminense e as observações da vida adulta em São Paulo, cidade que a influenciou profundamente. Sua escrita é caracterizada por uma 'ironia, verve, musicalidade, malícia e malandragem', frequentemente mesclando a alegria escrachada com uma melancolia profunda, e o cotidiano com a imaginação mais selvagem. Bruna Beber também se destaca por sua capacidade de reinventar a linguagem, explorando a oralidade e a coloquialidade em seus versos, como exemplificado em 'Ladainha' e na sua pesquisa sobre Stella do Patrocínio. Além de sua produção poética, ela atua como tradutora e pesquisadora, ampliando as fronteiras de sua contribuição para o campo literário e cultural brasileiro.

“"Ladainha" é um ponto de virada na obra de Bruna Beber, onde a autora tenta, ao extremo, retirar o peso e a densidade da poesia. O título remete a um canto ou prece repetitiva, e a escolha de numerar os poemas com números primos simboliza uma "infinitude ainda não de todo mapeada". É um livro que soa "como uma nota beberiana tocada uma oitava abaixo", sendo mais grave e reflexivo, povoado por um anseio de rumos e direções, e explorando a relação de estranhamento com os poemas e a vida.”

“Uma coletânea que reúne os cinco primeiros livros de poesia da autora (A fila sem fim dos demônios descontentes, Balés, Rapapés & apupos, Rua da padaria e Ladainha), celebrando sua obra poética com ironia e musicalidade.”