
Betty Mindlin nasceu em 31 de março de 1942, na cidade de São Paulo. É filha de Guita e José Mindlin, casal responsável por estruturar a coleção formadora da atual Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Graduou-se em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) no ano de 1963. Prosseguiu seus estudos nos Estados Unidos, obtendo o mestrado em Economia na Universidade Cornell em 1967. Mais tarde, redirecionou sua atuação para as ciências sociais, obtendo o título de doutora em Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Exerceu a docência acadêmica na FEA-USP entre 1964 e 1969 e também ministrou aulas na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV). A partir de 1978, iniciou um contínuo trabalho de campo na Amazônia, especialmente com grupos sediados em Rondônia e Mato Grosso, estabelecendo vínculos diretos com comunidades como os Paiter Suruí e os Gavião-Ikolen. Na esfera institucional, tornou-se professora visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo e pesquisadora de projetos voltados para demarcação de terras, educação diferenciada, direitos reprodutivos, saúde indígena e impactos ambientais. No âmbito pessoal, foi casada com o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer, com quem teve dois filhos.
A produção bibliográfica da autora é fundamentada na intersecção entre o levantamento antropológico e a preservação do folclore e da tradição oral do Brasil. O eixo central de suas obras consistiu em converter em texto um amplo acervo de cosmogonias, relatos xamânicos e histórias cotidianas de grupos originários, utilizando um método de coautoria em que os próprios narradores indígenas são creditados na estruturação literária. Suas primeiras publicações registraram as transformações socioculturais causadas pela abertura de estradas e frentes migratórias na floresta. Em seguida, focou-se na sistematização da mitologia regional, abordando pautas como a origem das espécies, explicações filosóficas elementares, sexualidade e relações de gênero. O estilo narrativo dessas compilações foca em manter as particularidades lexicais e estruturais da oralidade nativa em língua portuguesa. Em etapas posteriores, sua produção incorporou elementos biográficos, combinando relatos de convivência etnográfica em forma de diários e crônicas sobre suas experiências diretas no campo. Nas obras mais recentes, expandiu seu escopo para a ficção e a literatura infantojuvenil, integrando a temática dos povos florestais a reminiscências de sua infância, a valorização das bibliotecas, e as raízes do judaísmo.

“Através da narração direta de representantes de diversos grupos indígenas de Rondônia, a obra traduz mitos arcaicos que envolvem amor, conflitos matrimoniais, traição, criação de saberes manuais e as relações fundamentais entre os sexos nas lendas dessas sociedades.”

“Neste livro autobiográfico, a autora utiliza suas anotações pessoais das expedições à região dos Suruí, revelando desde o choque cultural inicial, adaptações logísticas, conflitos e os laços afetivos consolidados nos ritos de aproximação interétnica.”