
Nascida na cidade de São Paulo, Ave Terrena Alves é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e possui histórico de formação em artes cênicas. Participou da equipe editorial da Revista Cisma, publicação de crítica literária e tradução, entre 2013 e 2015. Em 2014, integrou o Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council. Desde 2015, atua no Laboratório de Técnica Dramática (LABTD), grupo voltado à pesquisa da memória na ditadura militar. Trabalha como orientadora do Núcleo de Dramaturgia e atua na coordenação pedagógica da Escola Livre de Teatro de Santo André. Integra o grupo teatral Queda para o Alto e realiza colaborações e intercâmbios estaduais, como o trabalho desenvolvido com o Frêmito Teatro, no Amapá. Também atua como atriz e diretora em obras cinematográficas e audiovisuais.
A produção da autora se divide entre a dramaturgia e a poesia, centrando-se na historiografia política brasileira e no registro das políticas institucionais contra a população de mulheres trans e travestis durante a ditadura civil-militar. Como método de organização cênica, estruturou o que intitula de "Mural da Memória", no qual cada texto teatral funciona como um "barbante" de diferentes cores para cruzar histórias em um painel comum. Estilisticamente, a escritora rompe com a norma culta por meio do uso do pajubá e da apropriação de neologismos e abreviações da internet. Alinha-se ao conceito de oralitura, registrando a fala e as experiências marginalizadas. Em sua dramaturgia, utiliza procedimentos épico-dialéticos, incorporando música, o distanciamento do ator-personagem e o uso de depoimentos colhidos de investigações reais, como os da Comissão Nacional da Verdade.

“Primeiro livro de poesias da autora. A obra mescla textos e ilustrações produzidos desde a sua juventude, estruturando-se em duas partes. Nela, o uso contínuo de transgressões normativas, do léxico virtual e de termos do pajubá serve à construção de uma poesia intimista e informal, relatando vivências transvestigêneres em contraponto às pressões e violências sociais.”

“Texto teatral pertencente ao 'Mural da Memória'. A narrativa foca em Miella e Cínthia, duas travestis que moram em São Paulo, atuam na noite e em salões de cabeleireiro. Ao buscarem viabilizar um show, esbarram na repressão ostensiva da chamada Operação Rondão, promovida por forças policiais durante a ditadura civil-militar.”