
Auritha Tabajara nasceu na aldeia Tabajara em Ipueiras, Ceará, em 15 de novembro de 1979. Criada pela avó Francisca Gomes, uma respeitada contadora de histórias e parteira, Auritha cresceu imersa na tradição oral de seu povo. Alfabetizada aos seis anos, começou a escrever rimas aos nove, inspirada pelas histórias da avó e pelas declamações de Patativa do Assaré que ouvia no rádio. Sua trajetória literária profissional ganhou força durante sua formação no magistério indígena, onde transformava relatórios acadêmicos em versos, o que culminou em sua primeira publicação oficial pela Secretaria de Educação do Ceará. Atualmente vivendo em São Paulo, Auritha utiliza o cordel — um gênero literário historicamente masculino no Brasil — para narrar a cosmologia Tabajara, os desafios da vida urbana e sua identidade como mulher indígena e lésbica. Além de escritora, é contadora de histórias, terapeuta holística e membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), ocupando a cadeira nº 345. Sua obra é considerada um marco na literatura indígena contemporânea, unindo a métrica clássica do cordel à urgência da resistência identitária.
A carreira de Auritha Tabajara é pautada pela quebra de paradigmas. Ao adotar o cordel, ela subverteu um espaço tradicionalmente ocupado por homens brancos no Nordeste para dar voz às mulheres originárias. Sua obra 'Magistério Indígena em Verso e Poesia' (2007) tornou-se leitura obrigatória nas escolas públicas do Ceará, consolidando-a como uma referência pedagógica. Em sua fase mais madura, após mudar-se para São Paulo, publicou 'Coração na aldeia, pés no mundo' (2018), livro autobiográfico que recebeu aclamação crítica e prêmios importantes. Seu estilo mescla a rigidez da rima e métrica do cordel com temas sensíveis como o preconceito, a ancestralidade e a cura através da arte.

“Primeira obra autobiográfica de uma mulher indígena em cordel no Brasil, o livro relata com sensibilidade e força poética a transição de Auritha entre a vida na aldeia e a megalópole de São Paulo, abordando temas como maternidade, sexualidade e identidade cultural.”

“Obra infantojuvenil escrita em cordel que narra a trajetória de Darcy Ribeiro, um dos maiores educadores do Brasil, sob uma perspectiva indígena e lúdica.”