
Antônio Torres nasceu em 13 de setembro de 1940, no povoado de Junco, que hoje é a cidade de Sátiro Dias, no interior da Bahia. Sua vocação literária despontou na infância, incentivada por uma professora, e ele logo começou a escrever para os moradores locais. Após mudar-se para Alagoinhas para estudar o ginásio, Torres foi para Salvador, onde iniciou sua carreira como repórter no Jornal da Bahia. Aos 20 anos, transferiu-se para São Paulo, trabalhando no diário Última Hora antes de ingressar na área de publicidade. Viveu por três anos em Portugal (1965-1968), experiência que considera fundamental para sua formação literária e que o colocou em contato com importantes nomes da literatura portuguesa. Atualmente, Antônio Torres dedica-se exclusivamente à atividade literária e reside em Itaipava, Petrópolis, no Rio de Janeiro, após décadas morando na capital fluminense. É casado com Sonia Torres, doutora em literatura comparada, e pai de dois filhos, Gabriel e Tiago. Ele foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2013, ocupando a Cadeira nº 23, que já foi de Jorge Amado e Machado de Assis. É também membro da Academia de Letras da Bahia e da Academia Petropolitana de Letras. Sua obra é amplamente traduzida e publicada em diversos países, consolidando sua carreira internacional.
A trajetória literária de Antônio Torres teve início em 1972 com o romance "Um Cão Uivando para a Lua", aclamado pela crítica como uma revelação. Seu estilo é frequentemente caracterizado pela exploração de temas como o êxodo rural, a memória, a identidade e o choque cultural entre o sertão nordestino e as grandes metrópoles. Em 1976, publicou "Essa Terra", sua obra de maior sucesso, considerada uma obra-prima que aborda o tema do migrante nordestino em busca de uma vida melhor, com fortes pinceladas autobiográficas. Este romance abriu caminho para sua projeção internacional, sendo traduzido para diversos idiomas. Torres transita com desenvoltura por cenários rurais e urbanos, e também pela história, como exemplificado em "Meu Querido Canibal" e "O Nobre Sequestrador". Sua obra inclui a "Trilogia Brasil", composta por "Essa Terra", "O Cachorro e o Lobo" e "Pelo Fundo da Agulha", e uma "tetralogia carioca", com "O Centro das Nossas Desatenções", "Um Táxi para Viena d'Áustria", "Meu Querido Canibal" e "O Nobre Sequestrador". Ele é reconhecido pela "fina carpintaria literária" e pela força poética que aborda a realidade sem falsificações.

“Considerada a obra-prima de Antônio Torres, "Essa Terra" narra a comovente jornada de Nelo, um nordestino que, impulsionado pela esperança de uma vida melhor, migra do sertão baiano para a efervescente São Paulo. O romance explora com profundidade o impacto da 'cidade grande' sobre o imigrante, os sonhos desfeitos e a trágica desilusão que o leva a um desfecho fatal, ressaltando o forte elo com as raízes e a dificuldade de adaptação em um ambiente hostil. A obra, de forte cunho autobiográfico, tornou-se um marco na literatura brasileira contemporânea e foi traduzida para diversos idiomas.”

“Neste romance histórico, Antônio Torres debruça-se sobre as primeiras décadas do Brasil colônia, cantando a saga do líder indígena Cunhambebe, o mais temido e adorado guerreiro tupinambá. A obra é um vívido relato sobre a vida dos primeiros habitantes do Brasil, sua coragem e seus valores, e a luta contra a escravidão imposta pelos portugueses. O livro acompanha a criação e o massacre da Confederação dos Tamoios, a organização social das tribos, a ligação com piratas franceses, e a fundação sangrenta do Rio de Janeiro, revelando aspectos da história que não são comumente abordados.”