
Nascida em 8 de abril de 1973, em Pelotas, Rio Grande do Sul, Angélica Freitas se formou em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Após residir por alguns anos em Porto Alegre, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como repórter para o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Informática Hoje. Em 2006, iniciou um período de residências temporárias em países como Holanda, Bolívia e Argentina. Seus primeiros poemas foram publicados em 2006 na antologia argentina "Cuatro poetas recientes del Brasil". No ano seguinte, lançou seu aclamado livro de estreia, "Rilke Shake". Ao longo de sua carreira, Angélica Freitas se consolidou como uma voz importante na poesia contemporânea, sendo reconhecida por sua abordagem inovadora e crítica. Atualmente, a poeta reside em Pelotas, Rio Grande do Sul, e coedita a revista de poesia Modo de Usar & Co. Sua obra tem sido amplamente traduzida e publicada em diversos países, como Espanha, México, Estados Unidos, Alemanha e França, e seus poemas foram incluídos em importantes revistas literárias internacionais. Ela também é reconhecida por sua contribuição para o debate sobre questões feministas e sociais através de sua literatura.
A trajetória literária de Angélica Freitas é marcada por uma poesia sagaz e despretensiosa, que rompe barreiras geográficas e temáticas. Seu estilo cultiva uma abordagem livre da métrica, dos registros e das citações, incorporando influências que vão do Dadaísmo a Gertrude Stein e Christian Morgenstern. A autora é notável pelo espírito profanatório com que relê a tradição poética, dedicando-lhe uma linguagem ferina e bem-humorada. Embora seus textos muitas vezes apresentem elementos de ironia e escárnio, Angélica Freitas também explora tons mais suaves e dolorosos, abordando temas como pobreza, solidão e depressão. Sua obra é uma referência literária em temas como feminismo e críticas sociais, especialmente evidente em "Um útero é do tamanho de um punho", onde questiona construções sociais machistas sobre as mulheres, padrões estéticos e morais. Além de poeta, ela atua como tradutora e é coeditora da revista de poesia Modo de Usar & Co., para a qual traduziu poetisas hispano-americanas. Seus poemas já foram incluídos em provas do ENEM e em listas de leitura obrigatória de universidades.

“Primeiro livro de Angélica Freitas, "Rilke Shake" é uma obra vibrante que explora o humor frenético e a inovação linguística. A poeta cria um universo literário próprio, misturando referências eruditas (como Gertrude Stein e Ezra Pound) com elementos do cotidiano, resultando em uma poesia surpreendente e perspicaz, que flerta com o popular e o trágico. A edição em inglês, traduzida por Hilary Kaplan, ganhou prêmios importantes de tradução.”

“Considerado um clássico da literatura moderna, este livro de poemas reúne uma visão crítica original e um humor ácido para questionar a construção social machista sobre as mulheres. Angélica Freitas aborda, sem pudores, as imposições estéticas e morais, a violência doméstica, a independência financeira e o comportamento sexual feminino, forçando o leitor a repensar os padrões de gênero em uma sociedade patriarcal. Foi vencedor do Prêmio APCA de Poesia em 2012 e finalista do Prêmio Portugal Telecom em 2013.”