
Ana Paula Maia nasceu em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 1977. Filha de uma professora de literatura e de um comerciante, cresceu em um ambiente marcado pelo contraste entre a violência urbana da periferia carioca e o contato precoce com os livros. Durante a adolescência, afastou-se temporariamente da leitura para integrar uma banda de punk rock como baterista, experiência que influenciou a estética visceral de sua escrita. Formou-se em Ciência da Computação e Comunicação Social, embora não tenha seguido carreira nessas áreas. Sua estreia literária ocorreu em 2003 com 'O habitante das falhas subterrâneas'. A partir de então, desenvolveu uma linguagem singular que privilegia personagens marginalizados e trabalhadores de ofícios insalubres, muitas vezes invisibilizados pela sociedade. Desde 2015, reside em Curitiba, onde continua sua produção literária e atua como roteirista de destaque, sendo a criadora da série de suspense 'Desalma', produzida para o Globoplay.
A trajetória de Ana Paula Maia é marcada pela construção de um universo literário 'brutalista', influenciado pelo cinema de Quentin Tarantino e Sergio Leone, e pela literatura russa de Dostoiévski. Sua consagração veio com a trilogia 'A Saga dos Brutos', iniciada em 2009, onde explorou a desumanização através do trabalho braçal e degradante. Ela é reconhecida por centrar suas narrativas em protagonistas masculinos e rústicos, como Edgar Wilson, personagem recorrente em várias de suas obras. Tornou-se a primeira autora a vencer o Prêmio São Paulo de Literatura por dois anos consecutivos (2018 e 2019), consolidando-se como uma das vozes mais potentes e originais da literatura brasileira contemporânea.

“Edgar Wilson trabalha recolhendo animais mortos na estrada. Uma trama que mistura suspense e horror existencial, questionando os limites da humanidade em um mundo indiferente.”

“O romance narra a história de uma colônia penal isolada, cercada por um muro de alta tensão, onde o tempo parece estagnado. O local, erguido sobre as ruínas de uma fazenda de escravos, é palco de violências institucionais e caçadas humanas, servindo como uma metáfora visceral para o passado colonial e o presente carcerário do Brasil.”