
Nascida em Ibiá, Minas Gerais, em 1970, Ana Maria Gonçalves teve uma formação em publicidade e atuou na área por treze anos em São Paulo. Em 2002, buscando uma mudança de vida e impulsionada por uma paixão pela literatura que a acompanhava desde a infância, mudou-se para a Ilha de Itaparica, na Bahia, onde se dedicou integralmente à escrita. Sua estreia literária ocorreu no mesmo ano com o romance 'Ao lado e à margem do que sentes por mim', publicado de forma independente e com circulação restrita, mas que já demonstrava sua veia ficcionista. Em 2006, Ana Maria Gonçalves alcançou reconhecimento nacional e internacional com o lançamento de 'Um Defeito de Cor', um romance monumental de 952 páginas que se tornou um marco na literatura brasileira contemporânea. A obra, fruto de uma pesquisa rigorosa de dois anos e um processo de escrita de três anos, narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana escravizada, desde sua captura aos oito anos no Benin até seu retorno à África como mulher livre, em busca de seu filho perdido. O livro aborda a formação da nação brasileira sob a perspectiva de uma mulher africana, dialogando com a metaficção historiográfica e remetendo a figuras históricas como Luiza Mahin e Luiz Gama. Além de sua carreira como romancista, Ana Maria Gonçalves é roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa, atuando ativamente em debates sobre questões étnicas e raciais no Brasil e no exterior. Sua influência e contribuição para a literatura foram coroadas em 10 de julho de 2025, quando foi eleita para ocupar a Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos de história. A autora tem sido reconhecida por sua voz contra-hegemônica e por suas pesquisas sobre as heranças africanas no Brasil, consolidando-se como uma figura central na literatura afro-brasileira.
A trajetória literária de Ana Maria Gonçalves é marcada pela profundidade de suas narrativas e pela rigorosa pesquisa histórica, especialmente no que tange às heranças africanas no Brasil. Sua escrita, que iniciou com um caráter intimista e quase autobiográfico em 'Ao lado e à margem do que sentes por mim', evoluiu para o épico 'Um Defeito de Cor', onde se destaca por dar voz a perspectivas silenciadas da história brasileira, notadamente a das mulheres negras escravizadas. A autora utiliza a metaficção historiográfica para recontar a formação da nação, subvertendo narrativas hegemônicas e propondo uma visão contra-hegemônica. Seu trabalho é um pilar na literatura afro-brasileira, explorando temas como identidade, ancestralidade, diáspora e resistência. Além de romancista, Ana Maria Gonçalves expandiu sua atuação para o teatro, como roteirista e dramaturga, com peças como 'Tchau, Querida!', 'Chão de Pequenos' e 'Pretoperitamar – O caminho que vai dar aqui'. Ela também atua como professora de escrita criativa e palestrante, difundindo debates sobre literatura e questões raciais, e foi escritora residente em universidades nos Estados Unidos. Sua eleição para a ABL solidifica seu lugar como uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

“Um épico de 900 páginas que narra a vida de Kehinde, uma africana escravizada no Brasil que luta por sua liberdade e busca o filho perdido. Uma obra-prima da ficção histórica.”

“Livro de estreia, lançado de forma independente. Mostra a inclinação inicial da autora para a escrita, abordando temas que seriam aprofundados em sua obra magna.”