
Ana Luísa Escorel nasceu em São Paulo, em 1944, filha dos renomados intelectuais Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza. Formou-se em Desenho Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, em 1968, integrando a primeira geração de designers formados no Brasil. Consolidou uma carreira de destaque no design editorial e na docência, fundando em 2004 a editora Ouro sobre Azul, dedicada ao resgate de obras fundamentais da cultura brasileira. Sua estreia na literatura ocorreu tardiamente, mas com grande aclamação crítica. Em 2010, publicou o livro de memórias 'O Pai, a Mãe e a Filha', seguido pelo romance 'Anel de Vidro' em 2013, obra que lhe rendeu o Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Livro do Ano em 2014, tornando-a a primeira mulher a vencer a categoria principal da premiação. Sua escrita é caracterizada por um rigor formal herdado do design, apresentando narrativas concisas e psicologicamente densas.
Com uma carreira inicialmente focada nas artes visuais, Ana Luísa Escorel trabalhou com ícones do design como Aloísio Magalhães e produziu ensaios teóricos fundamentais sobre o objeto-livro. Na literatura, sua transição foi marcada pelo uso de técnicas narrativas inovadoras, como o uso da terceira pessoa em textos autobiográficos e a fragmentação de pontos de vista em seus romances. Seu estilo literário transita entre a autoficção, a crônica e o romance histórico, sempre mantendo um olhar atento às tensões sociais e às dinâmicas domésticas brasileiras.

“Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, este romance é uma análise cirúrgica da instituição do casamento e da infidelidade. A narrativa é dividida em quatro partes, cada uma narrada sob o ponto de vista de um dos envolvidos em uma trama de traição. O livro destaca-se pela economia de meios e pelo modo como revela as clivagens sociais e os abismos emocionais que separam os personagens, evitando julgamentos morais diretos.”

“Nesta obra memorialística, a autora utiliza a terceira pessoa para narrar as lembranças de sua própria infância. A 'menina' protagonista cresce em uma casa frequentada pelos maiores nomes da inteligência brasileira, observando o trabalho de seu pai, Antonio Candido, e de sua mãe, Gilda de Mello e Souza. É um retrato afetivo e, ao mesmo tempo, distanciado de uma época de ouro da cultura nacional.”