
Nascida em Campinas, São Paulo, em 26 de fevereiro de 1985, Amara Moira é doutora em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela se tornou a primeira mulher trans a obter o título pela Unicamp usando seu nome social. Durante seu doutorado, que abordava a obra de James Joyce, Amara iniciou sua transição de gênero aos 29 anos. Suas experiências subsequentes como trabalhadora sexual e escritora de um blog, onde relatava suas vivências, foram a base para seu primeiro livro, 'E se eu fosse puta'. Atualmente, Amara não atua mais como profissional do sexo, mas continua a defender a regulamentação da prostituição no Brasil e a importância da literatura como ferramenta de transformação social. Amara Moira é também uma figura ativa na militância pelos direitos de pessoas LGBTQIA+ e de trabalhadoras sexuais, integrando coletivos como a Associação Mulheres Guerreiras e o Coletivo TransTornar em Campinas, além do Coletivo A Revolta da Lâmpada em São Paulo. Sua trajetória profissional inclui ser professora de literatura em cursinhos online e colunista da Mídia Ninja e UOL Esporte. O nome 'Amara Moira' é inspirado na 'Odisseia' de Homero, onde as moiras previam um destino 'amargo' para Ulisses, simbolizando um 'destino amargo' que, para ela, não é necessariamente ruim, mas uma jornada de transformações.
A trajetória literária de Amara Moira é marcada por uma profunda intersecção entre sua vivência pessoal, ativismo e produção acadêmica. Sua obra de estreia, 'E se eu fosse puta' (2016), emergiu de um blog onde ela narrava suas experiências como prostituta e seu processo de transição de gênero, desafiando os limites da autoficção e da biografia e posicionando a literatura como um agente de mudança social. Seu estilo é caracterizado pela crueza e autenticidade ao abordar temas como sexualidade, identidade trans e o trabalho sexual, utilizando a linguagem como um laboratório sofisticado para explorar essas realidades. Amara expandiu sua produção com participações em antologias, como 'Vidas trans: a coragem de existir' (2017), onde seu capítulo 'Destino Amargo' aprofunda a narrativa de sua transição. Em 'Neca + 20 poemetos travessos' (2021), ela incorpora o pajubá, a língua das travestis, em um monólogo e poemas, consolidando sua busca por representatividade e novas formas de expressão. Em 2024, lançou 'Neca: romance em bajubá', seu primeiro romance integralmente escrito nessa linguagem, reafirmando seu compromisso com a literatura transfeminista e a visibilidade de narrativas marginalizadas. Sua produção textual é frequentemente citada em cursos universitários no Brasil e no exterior, destacando sua relevância acadêmica e social.

“A obra de estreia de Amara Moira é um relato autobiográfico visceral que emerge de um blog onde a autora documentou suas experiências como profissional do sexo e seu processo de transição de gênero. O livro desafia as normas literárias ao misturar ficção e realidade, convidando o leitor a uma reflexão sobre a prostituição, a identidade trans e o papel da literatura como ferramenta para a transformação social. É um convite à desconstrução de preconceitos e à compreensão de uma vivência marginalizada, apresentada com coragem e autenticidade.”

“Este romance representa um marco na literatura brasileira, sendo o primeiro escrito integralmente em pajubá, a linguagem de resistência da comunidade LGBTQIAP+. A narrativa segue uma travesti que reencontra um antigo amor, anos mais jovem, que está iniciando sua vida nas ruas. Através de conselhos e memórias, a protagonista revisita suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa, explorando o erotismo, a sexualidade e a literatura como parte intrínseca de sua história. É uma jornada cômica, sensual e carnal que celebra a cultura travesti e sua linguagem.”