
Alexandre José Vidal Porto, nascido em São Paulo em 19 de março de 1965, é um diplomata e escritor brasileiro de destaque. Ele obteve sua graduação em Direito pela Universidade de Fortaleza em 1986 e ingressou na carreira diplomática em 1991, após ser admitido no Instituto Rio Branco em 1988. Sua formação acadêmica inclui um mestrado em Direito pela Universidade de Harvard, concluído em 2000. Ao longo de sua carreira, Vidal Porto residiu em diversas cidades globais, como Fortaleza, Brasília, Nova Iorque, Santiago, Cidade do México, Washington, Tóquio e Frankfurt, e atualmente vive e trabalha em Amsterdã. Publicamente assumido como gay e casado com um cidadão americano desde 2002, ele é um dos poucos embaixadores abertamente homossexuais no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Além de suas atribuições diplomáticas, Vidal Porto contribuiu como colunista para a Folha de S.Paulo entre 2012 e 2016 e foi autor do blog 'Elemento Estrangeiro' para a Revista Bravo!. Sua obra literária é frequentemente elogiada por sua abordagem perspicaz e sensível de questões de identidade e sexualidade, refletindo sua vivência pessoal e seu ativismo pela causa LGBTQIA+.
A trajetória literária de Alexandre Vidal Porto é marcada por um estilo claro, irônico e um profundo engajamento com questões contemporâneas e históricas, especialmente aquelas que envolvem a sexualidade e os direitos LGBTQIA+. Sua carreira como escritor teve início com o lançamento de "Matias na Cidade" em 2005. Ele frequentemente explora as complexidades da sexualidade reprimida e seus impactos sociais, afirmando que sua carreira literária está intrinsecamente ligada à sua própria homossexualidade, utilizando a escrita como forma de advocacia e para facilitar o caminho das futuras gerações. Suas obras receberam reconhecimento crítico, com "Sergio Y. vai à América" sendo laureado com o Prêmio Paraná de Literatura, "Cloro" alcançando o posto de finalista do Prêmio Jabuti, e "Sodomita" conquistando o Prêmio Mix Literário e o Prêmio Literário da Biblioteca Nacional na categoria de Melhor Romance. O compromisso de Vidal Porto com a diversidade e inclusão se estende à sua atuação diplomática, onde ele se dedica a documentar as experiências de colegas que foram vítimas de perseguição devido a gênero ou orientação sexual. Suas publicações foram traduzidas para diversos idiomas, incluindo holandês, inglês, francês, italiano, japonês e espanhol, consolidando sua projeção internacional.

“Finalista do Prêmio Jabuti em 2019 e publicado pela Companhia das Letras em 2018, 'Cloro' apresenta Constantino, um narrador falecido que, do limbo, rememora os fatos cruciais de sua vida. A obra reflete sobre as amarguras de uma existência marcada pela sexualidade reprimida. Como um advogado bem-sucedido em São Paulo que desde cedo escondeu seu desejo, Constantino viveu uma vida dupla, que se desestrutura após um acontecimento trágico, confrontando-o com sua verdadeira homossexualidade.”

“Lançado pela Companhia das Letras em 2023 e aclamado com o Prêmio Mix Literário e o Prêmio Literário da Biblioteca Nacional como Melhor Romance, 'Sodomita' transporta o leitor para o século XVII. A narrativa segue Delgado, um violeiro de Évora degredado para Salvador em 1669 pelo crime de sodomia. Misturando fatos históricos com uma fábula selvagem e uma linguagem que mescla o arcaico com o contemporâneo, Vidal Porto explora temas atuais como a laicidade do Estado, os resquícios da escravidão e a repressão à sexualidade LGBT+.”