
Airton Souza de Oliveira nasceu em Marabá, no Pará, em 1982. Formado em História e Letras, com mestrado em Letras pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Pará (UFPA), o autor consolidou uma carreira multifacetada como professor, ativista cultural e gestor de bibliotecas. Sua infância e juventude na periferia de Marabá e a proximidade histórica com o garimpo de Serra Pelada são elementos fundamentais que permeiam sua produção literária. Com uma produção prolífica que ultrapassa os 40 livros publicados em diversos gêneros, Airton Souza emergiu no cenário nacional como uma voz poderosa da Amazônia. Sua escrita é marcada pelo olhar para os 'subalternizados' e pela denúncia das violências sistêmicas contra os corpos e o meio ambiente. Em 2023, alcançou grande reconhecimento crítico ao vencer o Prêmio Sesc de Literatura com o romance 'Outono de carne estranha', obra que aborda temas complexos como a homoafetividade em cenários de embrutecimento social.
Airton iniciou sua trajetória na poesia há mais de duas décadas, utilizando o lirismo como ferramenta de resistência e registro da realidade nortista. Ao longo dos anos, diversificou sua atuação para a literatura infantil e infantojuvenil, recebendo prêmios significativos da União Brasileira de Escritores (UBE). Seu estilo combina uma linguagem densa e poética com uma pesquisa histórica rigorosa, frequentemente explorando a geografia do Pará. A transição para o romance foi marcada pelo sucesso de público e crítica, levando-o a ser finalista de prêmios como Oceanos e São Paulo de Literatura, consolidando-o como um dos principais nomes da nova prosa brasileira.

“Vencedor do Prêmio Sesc, o romance mergulha nas lamas de Serra Pelada na década de 1980 para contar a história de Zuza e Manel. Dois homens que buscam o ouro ('bamburrar') enquanto vivem um amor proibido em um ambiente de extrema violência, religiosidade conflituosa e exploração humana. A obra é um épico minimalista que humaniza a tragédia social do maior garimpo a céu aberto do mundo.”

“Dois irmãos de Rosário, no Maranhão, fogem da violência paterna em uma jornada pelo estado em busca do mar.”