
Ailton Krenak nasceu em 1953, na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Membro da etnia Krenak, ele se tornou uma das vozes mais influentes do pensamento contemporâneo brasileiro, unindo ativismo político e uma filosofia profunda baseada na relação intrínseca entre o ser humano e a natureza. Sua trajetória ganhou visibilidade internacional em 1987, durante a Assembleia Nacional Constituinte, quando pintou o rosto com tinta de jenipapo enquanto discursava em defesa dos direitos dos povos indígenas. Escritor, jornalista e pesquisador, Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2023, ocupando a cadeira número 5. Seus livros, muitos originados de transcrições de palestras e diálogos, questionam o conceito ocidental de humanidade, criticam o consumismo desenfreado e propõem uma reconexão com a ancestralidade e o meio ambiente como caminhos para a sobrevivência do planeta frente à crise climática.
Krenak iniciou sua militância nos anos 1970, fundando a União das Nações Indígenas (UNI) e o Núcleo de Cultura Indígena. Após décadas de atuação política e social, consolidou-se como autor literário a partir de 2019, adotando um estilo que mescla a tradição oral indígena com a prosa ensaística e filosófica. Sua obra é caracterizada por uma crítica severa ao antropocentrismo e à lógica utilitarista da vida moderna, defendendo o 'pensamento selvagem' e o direito ao sonho.

“Neste livro, Krenak alerta que a ideia de humanidade está sendo usada para justificar a exploração da Terra. Ele convida o leitor a reconhecer que os rios, montanhas e florestas são nossos parentes e que o fim do mundo pode ser adiado através da resistência cultural e da manutenção de nossas subjetividades.”

“Krenak propõe que o futuro não deve ser visto como uma linha de progresso tecnológica, mas como uma reconexão com os conhecimentos que já existem há milênios. Ele argumenta que os povos indígenas detêm tecnologias de sobrevivência espiritual e ambiental essenciais para o amanhã.”