
Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1970. Sua formação acadêmica é notável, com bacharelado em Música (flauta transversa) pela Uni-Rio, mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Essa base multidisciplinar, que incluiu atuações como cantora de MPB na França e professora de flauta, permeia sua escrita com uma sensibilidade e musicalidade distintas. Ao longo de sua carreira, Adriana viveu em diversos países, como França, Nova Zelândia e atualmente reside nos Estados Unidos, alternando entre Boulder, Colorado, e Denver. Essa vivência internacional e a experiência como pesquisadora visitante em instituições como Nichibunken (Kyoto), Universidade do Novo México e Universidade da Califórnia Berkeley, enriquecem sua perspectiva e temas abordados em suas obras. Com mais de 25 anos de carreira literária, Adriana Lisboa consolidou-se como uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Sua vasta produção literária, traduzida para mais de vinte países e diversos idiomas, como inglês, francês, espanhol, alemão e italiano, inclui romances que foram amplamente reconhecidos, como 'Sinfonia em branco', vencedor do prestigiado Prêmio José Saramago em 2003. Além disso, sua versatilidade se manifesta em coletâneas de contos como 'Caligrafias' e 'O sucesso', livros de poesia como 'Parte da paisagem' e 'Pequena música', e obras infantojuvenis premiadas como 'Língua de trapos'. Em 2007, foi incluída na lista dos 39 mais importantes autores latino-americanos com até 39 anos pelo projeto Bogotá 39/Hay Festival, um testemunho de seu impacto na literatura jovem da América Latina.
A trajetória literária de Adriana Lisboa é marcada por uma exploração profunda da memória, identidade, deslocamento e relações humanas, frequentemente ambientadas em cenários tanto brasileiros quanto internacionais. Sua prosa é conhecida pelo lirismo, precisão e uma abordagem poética que se estende por diferentes gêneros. Romances como 'Azul-corvo' e 'Hanói' abordam temas de exílio, busca por raízes e a complexidade das interações em culturas diversas, refletindo suas próprias experiências de vida e pesquisa em diferentes países. A autora demonstra um domínio na construção de personagens em trânsito, que buscam seu lugar no mundo e confrontam traumas e perdas. Sua poesia, como em 'Pequena música' e 'O vivo', complementa sua ficção, revelando uma sensibilidade aguçada para as nuances da linguagem e do sentimento. Adriana Lisboa transita com fluidez entre o real e o onírico, utilizando a literatura como um meio de decifrar os mistérios da existência e das relações mais íntimas, como evidenciado em 'Um beijo de colombina'. Seu ensaio autobiográfico 'Todo o tempo que existe' representa um passo significativo em sua obra, onde a autora se expõe para narrar o luto e a finitude, revelando a genealogia de sua inquietação artística. Adriana Lisboa também é uma notável tradutora, tendo vertido para o português obras de autores como Cormac McCarthy, Jonathan Safran Foer, Marguerite Duras e Maurice Blanchot. Sua habilidade em dialogar com outras literaturas e culturas enriquece sua própria escrita e a posiciona como uma intelectual de grande alcance no cenário literário global. Sua obra é caracterizada pela busca por um sentido, pela melancolia e pela capacidade de transformar experiências dolorosas em arte, sempre com uma linguagem apurada e envolvente.

“Este romance vencedor do Prêmio José Saramago em 2003, narra a história de duas irmãs, Clarice e Maria Inês, filhas de um fazendeiro fluminense. Através de uma sequência não cronológica, a autora desvenda um drama familiar profundo, permeado por um abuso que dilacerou a vida da irmã mais velha, e o silêncio, o interdito e os segredos que moldaram suas existências. É uma obra de grande força poética que explora o horror e a beleza da vida.”

“Considerado um dos melhores livros de 2013 pelo jornal inglês The Independent, 'Azul-corvo' acompanha Evangelina (Vanja), uma menina de 13 anos que, após a morte da mãe, se muda do Rio de Janeiro para o Colorado, nos Estados Unidos. Lá, ela vai morar com seu padrasto Fernando e decide ir em busca de seu pai biológico. O romance entrelaça a jornada de autodescoberta de Vanja com detalhes sombrios do passado recente do Brasil, revelando a história de um ex-guerrilheiro e abordando temas como exílio, pertencimento e a busca por um lugar no mundo.”