
Adelaide Ivánova nasceu em 1982 na cidade do Recife, Pernambuco. Iniciou sua trajetória profissional no Brasil atuando como jornalista e fotógrafa documental e de moda, passando um período na cidade de São Paulo. Em 2011, mudou-se para Berlim, na Alemanha, para estudar fotografia na Ostkreuzschule für Fotografie, estabelecendo sua residência no país desde então. Além de seu trabalho literário, atua como tradutora, tendo vertido obras para o português, e é ativista em movimentos por justiça habitacional e na área de formação política. No campo das artes visuais, suas reportagens fotográficas integram o acervo de instituições como o Brandenburgisches Landesmuseum für moderne Kunst (Alemanha), a L'arthotèque – Museu de Belas Artes (França) e a Galeria Murilo Castro (Brasil). Na área editorial, é responsável pela criação e edição do zine de poesia 'Mais Nordeste, por favor!'. Seus poemas e ensaios foram traduzidos para diversos idiomas, incluindo o alemão, inglês, espanhol, italiano, russo, grego e sueco.
A produção literária da autora é pautada por um projeto estético que aproxima a investigação documental da construção poética. Seus textos caracterizam-se pelo uso de uma linguagem direta e muitas vezes irônica, abordando temáticas como o patriarcado, a violência estrutural, a sexualidade e as relações de poder. A autora estreou em livro em 2014 com publicações que cruzavam a poesia e a fotografia, como 'polaróides (e negativos das mesmas imagens)'. O foco da crítica sobre o seu trabalho se consolidou com o livro 'o martelo' (2016), no qual utiliza métodos de poesia documental e pesquisa processual para esmiuçar a estrutura da violência de gênero e o funcionamento do sistema judiciário no tratamento de vítimas de agressão. Posteriormente, sua pesquisa poética expandiu as reflexões em títulos como 'chifre' (2021), que examina os limites entre as relações afetivas e a maledicência através da metáfora do animalismo, e 'ASMA' (2024), um livro que insere traços de realismo fantástico ao construir uma linhagem ancestral de mulheres e fêmeas materializada na figura de Vashti Setebestas. Suas obras têm sido objeto constante de pesquisas acadêmicas nas universidades brasileiras, com foco nos estudos de gênero e nas literaturas contemporâneas de língua portuguesa.

“Por meio da elaboração mítica de uma ancestral que cruza diferentes períodos históricos, a obra investiga o apagamento da história das mulheres no país.”

“Coletânea de reflexões poéticas que joga com as duplas interpretações de conceitos bélicos e adornos do corpo para discursar sobre resistência e afetividade.”